Resolvi contar uma linda historiazinha que me aconteceu um tempo atrás. Eu ainda era amiga da Alice e do Lobo Mau (que eram amigos entre si). O Lobo Mau era o cara que eu pegava na época, mas era muito a fim da Alice, e nunca fez questão de esconder isso de mim (não que eu reclamasse, também não escondia meu caso com um outro colega, acho que dá pra chamar o que a gente tinha de "relacionamento aberto"). A Alice, de quem eu era super amiga, já tava tendo uns comportamentos que me incomodavam pra caramba (no caso: ligar no meio da semana pra convidar de ir em algum lugar na sexta/no sábado, chegar no dia combinado e mudar de ideia sem me avisar. Era lindo eu ligar pra casa dela pra perguntar que horas a gente se encontrava e a mãe dela me falar "A Alice acabou de sair com o Fulano!", enquanto eu ficava com cara de idiota segurando o telefone). Daí aconteceu. Vou contar em retrospectiva pra ver se faz sentido.
Alice tinha uma amiga que dançava, e todo ano participava do Porto Alegre em dança. Eu nunca tinha visto ela dançando apesar de conhecer e me dar bem com a menina. Um dia Alice me falou da apresentação dela: "eu vou todo ano! Não quer ir também dessa vez?" Eu aceitei. Ela ficou de me avisar quando fosse acontecer.
Chegou o dia. Passei o dia inteiro fora de casa (se não me engano acertando a rescisão do meu trabalho) sem saber de nada. Chego em casa quase umas 19h. Entro no orkut (2008 gente, época do orkut ainda) e lá está um depoimento dela (na época as mensagens eram abertas, mensagem privada só por depoimento): "A COISA VAI SE APRESENTAR HOJE VEM COM A GENTE EU VOU PRA CASA DE NÃO SEI QUEM DAQUI A POUCO DE LÁ A GENTE VAI PRA APRESENTAÇÃO SE QUANDO TU CHEGAR EU NÃO ESTIVER EM CASA ME LIGA EU VOU ESTAR COM O CELULAR DA MINHA MÃE O NÚMERO É 9845-XXXX*"
Devo acrescentar que: Alice não tinha celular. Os celulares que ela teve não duravam um mês. Era impossível falar com ela quando ela não estava em casa, logo as saídas tinham que ser muito bem marcadas pra não dar erro (e qualquer imprevisto me fazia ficar horas esperando pela querida no local marcado). Ou seja: ela estar com um celular era algo raro. Não perdi tempo e liguei, primeiro pra casa dela, mas ela não estava. Então eu liguei pro tal celular.
Desligado.
DES-LI-GA-DO.
Cara. Aquilo me deixou tão emputecida, mas TÃO emputecida que eu tive vontade de jogar o telefone na parede. Foi quando eu decidi que CABÔ A PALHAÇADA, ou essa guria vira gente ou então não me olha mais na cara**. No dia seguinte, quando ela me mandou outro depoimento no melhor estilo "nada aconteceu ontem estamos super de boa então que tal saírmos essa noite", eu mandei uma resposta cheia de ódio no coração dizendo tava de saco cheio da palhaçada e não queria falar com ela tão cedo, e ou ela parava de fazer merda ou não precisava mais falar comigo. Ela não me respondeu nem pra perguntar do que eu tava falando (presumo que pq ela sabia do que se tratava).
Agora o melhor da história: eu saí no dia seguinte com o Lobo Mau. Ele tinha ido lá na tal apresentação. Quando ele veio me falar eu já fiquei toda "NÃO ME FALA DESSA JOÇA QUE EU NÃO QUERO NEM SABERRRRRR!" Ele ficou totalmente sem jeito, enrolou um pouco e então me contou que (finalmente) tinha ficado com ela depois da tal apresentação. Não posso dizer que me surpreendeu, pq pra mim era questão de tempo até acontecer. Mas eu tava realmente furiosa com o negócio do celular desligado***. E simplesmente não ia dar o braço a torcer e voltar a falar com ela: ela que viesse atrás de mim pelo menos uma vez na vida.
Bom. Alice se fez de louca durante um bom tempo, até me mandar uma mensagem perguntando "mas pqqqq tá braba comigooo??? ;~~~". Uns três meses, mais ou menos.
E nesse meio tempo Lobo Mau jurava que eu tava braba com ela por causa dele.
HAHAHAHAHAHHAHAHAHA.
Tipo. Até hoje eu fico meio abismada. A mina era minha amiga tinha anos. Ele tava comigo a alguns meses só, e a gente mais brigava do que qualquer outra coisa. A gente era super aberto com os relacionamentos um do outro. E ele achava DE VERDADE que eu tava braba com ela por causa DELE****. Por ciúmes. E ficava me dando lição de moral sobre o quanto ela gostava de mim e como eu era malvada por ficar braba com ela por algo assim. E eu rindo por dentro e dizendo que MEU, não é nada disso. E ele com aquele ar de "ok, você é mesmo muito orgulhosa pra admitir".
Dessa história ficou a lição que:
- eu consigo ser bastante teimosa e levar uma situação que me desagrada durante meses só pra não dar o braço a torcer, especialmente se eu estou convencida de que estou certa;
- não adianta discutir. se a pessoa se acha o centro do universo, não tem argumento que faça ela se convencer de que não é bem assim
Rysos.
*não, ela não escrevia em caixa alta, nem sem pontuação, escrevi assim pq obviamente não lembro exatamente como estava escrito e assim ficou mais engraçado. e é um pouco como eu sinto a lembrança dessa história.
**obviamente ela não virou gente, por isso não olho mais na cara dela. rysos.
***o que mais me irrita até hoje nessa história é: pq CARALHOS ela me passou um número de celular que não ia usar? sabe. sentido nenhum isso.
****até hoje eu acho total graça dessa gente que acha que é mais importante na minha vida que eu mesma. eu tava braba pq sentia que ela me fazia de idiota, isso sim. meu orgulho >>>>>>>>>anything else
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