domingo, 25 de dezembro de 2016

Feliz 2017
Feliz Janeiro de 2017

Eu praticamente não escrevi esse ano. Minha vontade foi grande, mas a falta e vontade também estava ali e falou mais alto. Eu deixava pra depois, o depois não vinha nunca, nada acontece, feijoada. E assim fechamos um ano.
Mas aconteceu alguma coisa esse ano, mais precisamente em outubro/novembro. Comecei a estudar Python. E, pela primeira vez desde que eu me conheço por gente, tive vontade real de aprender e estudar alguma coisa por conta própria.
Isso foi bem loko pq não é algo que eu esteja acostumada. Me sentir motivada de verdade, a ponto de separar tempo da minha vida apenas pra estudar -- que loucura é essa? Mas aconteceu, e o que é mais incrível, ainda não passou. E mais do que isso, pela primeira vez eu senti uma mudança real -- não apenas vontade de estudar, mas uma mudança de mentalidade. Comecei a fazer vários exercícios de python por conta própria. Comecei a assistir videoaulas com alguma regularidade. Comecei a pensar em maneiras de aproveitar melhor meu tempo. Resolvi aprender também ciência de dados e inteligência artificial. E banco de dados. E percebi que precisava aprender a lidar com essa vontade de um jeito efetivo, pois só querer não é garantia de fazer.
Comecei a fazer um curso sobre aprender a aprender. Voltei a estudat japonês. Estou com uma vontade imensa de aprender a tocar algum instrumento musical. Estu lendo os textos da época da faculdade -- aqueles que eu tenho guardado desde 2011 pensando que "um dia eu leio" (si-nhê! Esse dia chegou =O!). Voltei a fazer alongamento com alguma frequencia. E estou cada vez mais disposta a continuar nesse ritmo.
Pretendo ser produtiva em 2017, de um jeito que eu nunca fui na vida. Ia fazer uma lista de resoluções pro ano novo, mas percebi que "ano" é tempo demais -- 365 dias, 52 semanas 12 meses. Tempo o suficiente pra se desmotivar. Então resolvi fazer uma lista de resoluções sim, mas não pro ano -- pro mês. O que farei em janeiro de 2017?

Em janeiro de 2017 vou:
continuar estudando japonês
me esforçar para voltar a fazer exercícios (além dos alongamentos)
me aprofundar em pyhthon, especialmente pra em desenvolvimento web
começar, nem que seja só a introdução, a aprender sobre AI

Existe a possibilidade de eu conseguir um estágio ainda em janeiro, então essa lista sempre poderá mudar - aumentar, modificar ou diminuir. Mas quero ter registrado aqui as ideias que tenho para o início do ano. E no final de janeiro, vir até aqui e colocar meus objetivos pro próximo mês. Quatro semanas por vez, pq é de passo em passo que seguimos em frente.
Ah, sim. Também pretendo escrever no blog pelo menos duas outras vezes - já tenho planejado pelo menos um dos assuntos. Quero voltar a escrever, e dessa vez sem deixar a falta de vontade me vencer.
O baguio é foco, força e fé. Mas bem aos pouquinhos, que é pra não assustar. Hehe.

domingo, 24 de janeiro de 2016

Em um relacionamento sério com a cara de pau

Eu tenho uma política de não curtir quando alguém atualiza o status de relacionamento no facebook para "em um relacionamento sério". Na verdade, pra nenhum status de relacionamento, mas o caso do "relacionamento sério" me parece o pior deles. Alguns motivos são:

  • não acho que estar namorando seja necessariamente uma coisa boa;
  • a expressão "em um relacionamento sério" do facebook é muito  feia e formal (em compensação, adorava o "namorando" do orkut);
  • cada curtida me parece uma "pressão" para que o relacionamento dure (mas reconheço que pode ser só paranóia minha);
  • por outro lado, já vi caso da pessoa atualizar o status e o namoro terminar duas semanas depois, e sério, foi patético.
Então, a menos que eu conheça o casal a algum tempo e saiba que ali existe uma relação bacana, eu não vou partir do princípio que estar em um relacionamento é uma coisa boa. Dar parabéns pra pessoa apenas porque ela começou* um relacionamento é, de certa forma, reforçar que precisamos estar com alguém pra sermos realmente felizes. O que, plmdds, é uma completa bobagem.

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Senta que lá vem a história.

Alguns meses atrás um conhecido meu, um cara acima de qualquer suspeita, atualizou o status dele para "em um relacionamento sério" com uma menina. O negócio foi meio inesperado e causou uma certa comoção no feices. Eu levei um susto porque, se me perguntassem duas semanas antes, eu teria dito com 94,6% de certeza de que o cara em questão estava a fim de mim. Mas tá, vai ver eu tava louca e vendo sentimentos onde não tinha.
Mas os meses foram passando e essa sensação só ia aumentando. E eu cada vez mais tentando me convencer de que não, queisso, não é nada disso. Negando as aparências e disfarçando as evidências. Até que chegamos em uma situação que não tinha mais como negar. O cara tava me querendo, e muito.
Eu não sou de julgar sentimentos dos outros porque sei que as coisas são bem mais complicadas do que deveriam ser. Mas me incomodava ter a impressão de que o cara tinha começado o namoro tendo outra pessoa na cabeça.  Mas quem sou eu pra medir o sentimento de alguém etc. O tempo passou, obviamente nada rolou e a vida seguiu como a vida sempre segue. 
Algumas semanas atrás, estava conversando com uma amiga que temos em comum. Papo vai, papo vem, e ela, do nada, me disse que: o cara tinha dado em cima dela também. Da mesma forma que tinha feito comigo. Na mesma época que foi comigo.
Quando eu contei pra ela que comigo tinha acontecido o mesmo, nossa cara foi no chão porque: acima de qualquer suspeita. Se me contassem uns três anos atrás que ele ia fazer uma coisa dessas, eu ia rir e dizer "cê jura, benhê". De todos os homens que eu conheço, ele era o último de quem eu esperaria uma canalhice desse nível.
Mas foi dele que veio. Dar em cima de duas meninas, amigas, ao mesmo tempo, já é de uma cretinice tamanha. Fazer isso tendo uma namorada, gente do céu, é canalhice nível +8000. 
Daí eu entendi: o cara não estava a fim de mim. Ele estava era atirando pra tudo que é lado. E o pior: continua atirando mesmo depois de ter fisgado uma presa.

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E o que aprendemos com isso?
  • Relacionamentos não são necessariamente sobre sentimentos;
  • algumas pessoas entram em relacionamentos por... por que mesmo? Ego? Medo de ficarem sozinhas? Vontade de passear de mãos dadas pela rua? Jamais saberemos;
  • se a gente não sabe o que está por trás desse relacionamento, bom, talvez seja uma boa, ahn, não parabenizar os envolvidos?
  • Não é porque um homem é ~acima de qualquer suspeita~ que ele não vai ser um babaca.


*Nunca nunca NUNQUINHA vi um parabéns num status de solteiro. O que é curioso, porque em alguns casos o fim deveria ser motivo de altas comemorações.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

we drink to die: Feliz ano novo

we drink to die: Feliz ano novo

Feliz ano novo

2015 foi um ano estranho. Bom, eu diria, na maior parte do tempo.Teve seus problemas, sempre tem, mas os pontos positivos superam os negativos.
Pelo menos eu vejo assim. Porque foram muitas perguntas e nenhuma resposta. As coisas que se fecharam, posso dizer, não se fecharam por completo. Mas isso não me parece algo negativo. Pelo contrário, não ter resposta me faz sentir livre - eu posso escolher meu caminho com uma liberdade que, um ano atrás, eu não julgaria possível. As perguntas, sozinhas, fazem muito mais sentido que qualquer resposta pronta que eu pudesse ter.
Esse ano foi o ano em que coisas que me importavam tanto, desde 2008, deixaram de me importar. Foi o ano em que novos objetivos foram estabelecidos na minha vida. O ano em que as dúvidas foram maiores, mais importantes e mais relevantes que as certezas. Isso é mágico, é precioso, nada é maior do que isso. Então eu só tenho a agradecer pelo ano que me passou.
Eu lembro do momento em que eu percebi que meus planos de passar a vida numa sala carimbando documentos talvez não fossem os mais adequados pra mim. Lembro do momento em que o frio na barriga me fez perguntar se não valia a pena largar a vida que eu tenho agora e tentar algo totalmente imprevisível. Lembro quando uma postagem no facebook me abriu o chão e me deixou de pernas pro ar - e lembro quando, no tecido, eu percebi que ficar de pernas pro ar era desnorteante, sim, mas também (não dá pra negar) bastante divertido. Eu me diverti pra caramba esse ano. E não acho que precise de muito mais do que isso pro meu futuro.
Algumas vezes - muitas, na verdade - eu me perguntei se esse meu jeito meio lento não era uma coisa horrível. Hoje eu percebo que as coisas acontecem no ritmo que precisam acontecer, e talvez o maior mérito que eu tenha na vida seja respeitar isso. Eu olho pros outros e me sinto atrasada, sim - mas olho pra mim e tudo parece se encaixar tão perfeitamente. Eu não quero mexer na única coisa em mim que parece tão correta.
Então, meu objetivo pro ano novo: mais perguntas. Mais imaginação. Mais pernas pro ar (literalmente ou não). As respostas, se vierem, que venham no ritmo certo. Eu me sinto bem, pela primeira vez em tanto tempo que me é até difícil lembrar. E me sentir bem é a prioridade. O que vier de resto, bem,é lucro.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Eu escolhi petralhar.

Eu me formei no ensino médio em 2004. Dois anos depois do Lula ser eleito presidente. Tempo suficiente pra lembrar de como era antes dele, mas insuficiente pra ver as mudanças que estavam começando a acontecer com ele.

Eu tinha uma amiga no colégio. Uma amiga que eu gostava muito. Que era inteligente, apesar da formação capenga que teve na escola (pública). Que pensava. Que questionava. Que adorava conhecer coisas novas, pessoas novas, pontos de vista novos. Que queria cursar filosofia. Que não era nem um pouco acomodada, ou preguiçosa. Que enxergava muito além do mundinho em que vivia.

Eu levava muita fé no futuro dessa minha amiga.

Mas o colégio acabou. Ela fez vestibular pra UFRGS, não passou. Tentou de novo: não passou. E não tinha condições de pagar uma faculdade particular. A responsabilidade bateu à porta. Ela teve que cuidar da irmãzinha, na época com cerca de dez anos. Cuidar da casa. Trabalhar. Pagar contas. Levar uma vida de adulto que não pode se dar ao luxo de questionar. Questionar nunca encheu a barriga de ninguém. Trabalhar sim.

Hoje, pelo facebook, eu vejo o que aconteceu com ela: trabalha como vendedora numa loja de roupas. É casada. Tem um filho. Absolutamente TODAS as postagens dela são relacionadas ao filho. Veja bem, não me incomoda ela ter filho, muito menos ser feliz em ser mãe. Me incomoda é ver que o mundo dela parece girar em volta do filho. E do marido. E do trabalho. Eu lembro daquela menina questionadora que eu conheci no colégio. E não consigo deixar de pensar que poderia ter sido  muito diferente se ela tivesse entrado na faculdade. Mesmo que ela levasse dez anos pra se formar. Mesmo que ela cursasse só um semestre. Mesmo que fosse pra decidir que o que ela queria mesmo era casar com um playboy e ser ryca. Mesmo que fosse pra, olha só, ser mãe, trabalhar como vendedora e focar a vida na tríade filho-marido-emprego. Pq eu saberia, com certeza, que ela ESCOLHEU aquilo. Que foi a vontade, e não a falta de oportunidade, que levou ela praquele caminho.

Eu queria que a gente tivesse nascido três anos mais tarde. Que a gente já tivesse pego uma estrutura que permitisse que ela enxergasse a universidade não como um sonho, mas como uma realidade. Mas não. Nascemos cedo demais. E, ao contrário de mim, ela nunca pode se dar ao luxo de levar a vida como queria, e não como precisava.

E é por ela. É pra que os adolescentes de hoje possam ter a oportunidade que ela não teve. Que eu voto na continuidade de um programa que diminuiu a segregação das pessoas. Voto no governo que fez as pessoas começarem a entender que estudar não é um privilégio: é um direito. Eu voto na Dilma. E espero, do fundo do coração, que ela também vote. Pra que o filho dela tenha a escolha que ela não teve dez anos atrás.