sábado, 17 de novembro de 2012

A triste história da Menina Descartável

Era uma vez uma menina quieta e solitária, que não era lá muito divertida nem tinha muito jeito para lidar com outras pessoas. Sem graça, como já ouvira alguém dizer. Essa menina passou anos e anos de sua vida sem ter "amigos" ao seu redor: era capaz de conversar e se dar bem com algumas pessoas, e até gostava bastante de outras, mas era incapaz de acreditar em qualquer relação mais profunda que isso.
Um dia, apareceu uma linda Fada Madrinha. A Menina Descartável gostou muito dela de cara. Acabaram se dando bem e, em pouco tempo, já dizia até que elas eram "amigas". Mas algo a deixava meio inquieta: Fada Madrinha era alguém com milhares de outros "amigos" à disposição. Por que iria perder seu tempo com alguém sem graça como ela? Fada Madrinha dizia que mesmo com os outros milhares de amigos, ela era única, insubstituível, especial. E ela se esforçava pra acreditar nessas palavras. Mas, embora parecesse sincera quando falava, as ações de Fada Madrinha não seguiam exatamente suas palavras. Fada Madrinha era campeã de marcar encontros, festas e saídas e não aparecer. E não se explicar. E agir como se fosse absurdamente normal. Porque era normal. Se os outros milhares de amigos dela  não se importavam, porque a Menina Descartável teria que se importar? Afinal, mesmo sendo única, ela também continuava sendo... sem graça.
O tempo foi passando e a situação só piorava. Até que chegou ao ponto que o óbvio ficou claro demais para não ser percebido. Ela nunca fora insubstituível. Ela nunca fora especial. Ela era, sim, apenas mais uma entre os milhares de amigos de Fada Madrinha. Mas ficou a dúvida, nunca devidamente esclarecida: porque mentir sobre isso? Porque fingir que ela era algo que ela nunca fora? O que alguém poderia ganhar com isso? Não sabemos. Mas podemos imaginar o que nossa Menina Descartável tinha a perder.
Hoje, a Menina Descartável já cresceu o suficiente pra não ser mais chamada de menina. Mas as coisas não melhoraram. Agora, além de sem graça, ela também é desconfiada, rabugenta, mau-humorada e intolerante. E uma pisada de bola pra ela não é algo comum que pode ser deixado de lado: é o mundo dizendo pra ela que ela sempre foi, e sempre será, uma pessoa desnecessária.

2 comentários:

Bru Rolim disse...

Para mim, não é desnecessária nem sem graça...
Mas talvez seja pq eu também sou desconfiada, rabugenta, mau-humorada e intolerante...hehehe

Bru Rolim disse...

Para mim, não é desnecessária nem sem graça...
Mas talvez eu pense assim porque também sou desconfiada, rabugenta, mau-humorada e intolerante...hehehe